O mundo enfrenta, hoje, uma de suas maiores crises econômicas e sociais. Deparamo-nos com uma situação completamente fora do nosso controle, e isso é desolador, tanto para nosso corpo, quanto para nossa mente. Como se não bastasse, vivemos em uma sociedade que dita regras, metas e padrões que precisam ser alcançados rapidamente. Existem rostos que precisam ser copiados, comportamentos que precisam ser reproduzidos e assim vamos nos esvaindo de nossa subjetividade e dando lugar a um sistema robotizado. Não é de se espantar que, nos últimos anos, a Saúde Mental tem sido um dos temas mais abordados em diversos lugares. A questão é que, dentro de uma sociedade a cada dia mais preocupada com a satisfação de suas necessidades pessoais e que constantemente busca se encaixar em padrões que são irreais, o adoecimento mental pode vir a ser uma de suas grandes consequências. O Brasil, por exemplo, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), é o país mais ansioso do mundo e o que possui o maior índice de pessoas com depressão na América Latina.

Embora os debates sobre a Saúde Mental tenham se tornado a cada dia mais comuns, ainda existem inúmeros tabus a serem quebrados nessa área, muitas vezes motivados pela banalização ou diminuição da urgência no tratamento de dores que não podem ser analisadas através de um raio-x ou um exame de sangue. A maioria das pessoas parece ainda ter dificuldades em admitir e procurar ajuda profissional quando sente que algo não vai bem, o que por diversas vezes pode agravar seu estado.

Nos últimos quarenta segundos, provavelmente enquanto você ainda estava lendo os dois parágrafos acima, uma pessoa cometeu suicídio em algum lugar do mundo e outras vinte pessoas tentaram o mesmo. Ou seja, enquanto você tentava entender onde queríamos chegar com esse texto, repetindo alguns dados óbvios, alguma pessoa cedeu à sua dor, que era demasiadamente grande.

Segundo dados da OMS, oitocentas mil pessoas cometem suicídio por ano e essa é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. Os Transtornos de ansiedade e a Depressão também são muito associados ao ato do suicídio, contudo existem outros fatores que podem resultar no ato, como a dependência química ou o luto. O suicídio não tem cara e muito menos classe social, em alguns casos a pessoa que o comete, não nos apresentará muitos sinais óbvios, por esse motivo é essencial o trabalho de prevenção ao suicídio, não apenas no mês de setembro, mas um trabalho que seja intenso e contínuo.

Quando falamos sobre o assunto, não com o propósito de julgar ou condenar a dor daquela pessoa, abrimos a possibilidade de que ela se sinta acolhida o suficiente para procurar ajuda. Talvez tudo que alguém precise neste momento é do seu acolhimento e de sua compreensão, porém lembre-se de que é essencial um acompanhamento profissional em casos assim.

Ao identificar que alguém está precisando de apoio, não hesite em oferecer ajuda, isso pode se dar simplesmente através da sua companhia ou marcando um atendimento psicológico ou com um médico. Em situações como essas, não existem caminhos mais simples ou atalhos a serem tomados. Como já foi dito aqui, cada segundo faz diferença e cada pequena atitude pode mudar o mundo de alguém.

 

 

Dra. Juliana Paranhos

Psicóloga e voluntária do Compaixão RJ